domingo, 24 de dezembro de 2017

Bright: O resgate de filmes policiais e criticas ao racismo na sociedade

Tive a oportunidade de assistir à pré-estreia exclusiva de Bright na Comic Con desse ano, seguido por uma entrevista com o diretor David Ayer, Will Smith e Joel Edgerton. Provavelmente vários sites e críticos estão falando mal do filme atualmente e eu não duvido. Mas particularmente é um filme que apreciei muito exatamente por que ele une uma ideia muito boa com criticas sociais atuais.




Segundo a sinopse oficial o filme se passa em um mundo futurista onde seres humanos convivem em harmonia com seres fantásticos como fadas e ogros. Mesmo nesse cenário, infrações da lei acontecem e um policial humano (Will Smith) especializado em crimes mágicos é obrigado a trabalhar com um orc (Joel Edgerton) para evitar que uma poderosa arma caia nas mãos erradas.

A concepção da ideia me encantou logo de inicio. Imaginar um mundo com seres fantásticos em uma realidade próxima da nossa pode não ser a ideia mais original do mundo, mas foi bem aplicada. Como o próprio David Ayer mencionou durante a entrevista na Comic Com, esse filme é uma mistura de “Senhor dos Anéis” com “Dia de treinamento”.

Nesse mundo de Bridght existem elfos, orcs e humanos convivendo em “harmonia”. No entanto existem alguns seres denominados Brights, os quais são os únicos que podem tocar em uma varinha sem explodirem. Vale lembrar que varinhas são objetos raros e extremamente poderosos no universo de Brigh, o que as tornam extremamente desejadas também.

Com as noções básicas do mundo estabelecidas é possível falar sobre a crítica social que o filme traz. Em Bright, os orcs são marginalizados pois há dois mil anos atrás serviram ao Senhor das trevas. Apesar do senhor das trevas ter sido destruído e os orcs serem cidadãos comuns hoje em dia, ainda são marginalizados e vistos como servos do mal pela maioria dos seres.

Em meio a esse sistema, Daryl Ward (Will Smith) recebe a indesejável tarefa de ser parceiro do primeiro policial orc Nick Jakoby (Joel  Edgerton). Ao longo do filme essa parceria é semelhante á de outros filmes policiais em que um policial branco tem de trabalhar com um policial negro. No entanto, dessa vez Will Smith é como se fizesse o papel do policial racista no filme. O racismo do filme não está na cor do indivíduo, mas na sua raça. Nick é visto como um marginal pelos colegas de trabalho e um traidor pelos outros orcs.

Outra crítica que o filme faz sobre as questões sociais é em relação a classe alta. Em Bright, os elfos são como a classe alta da nossa sociedade. Considerados incorruptíveis, mesmo sabendo que existem corruptos entre eles. Quando o agente elfo da Dorça-Tarefa dos magos (uma espécie de FBI de bright) está interrogando um sacerdote de uma sociedade secreta, o suspeito menciona que aqueles que estão tentando trazer o senhor das trevas de volta não são os orcs, mas sim os elfos. O agente logo corrige dizendo que são elfos renegados e a resposta do suspeito é que “vocês elfos são o máximo”. Isso é um paralelo com a alta classe da nossa sociedade em que os privilegiados, quando cometem algum crime são considerados exceção enquanto os marginalizados são considerados o comum.

Assim como na nossa sociedade, os negros e pobres são todos considerados escória por causa de poucos, os orcs estão na mesma situação. Enquanto isso, os ricos e privilegiados são considerados exemplo, mesmo diante de muitos crimes cometidos por eles, assim como os elfos.Isso é uma grande sacada em Bright, principalmente quando percebemos que os verdadeiros vilões são todos elfos, mesmo que alguns humanos e orcs fiquem no caminho dos heróis, posteriormente os orcs se provam honestos. Na verdade, o grupo de orcs são os únicos que se redimem enquanto os elfos são os vilões e os policiais humanos se corrompem.

A história
O primeiro ato é voltado quase que inteiramente sobre a questão racial do filme. Os conflitos entre orcs e humanos é o mais presente. Logo no inicio do filme Ward é baleado por um orc e Nick o deixa escapar, fato que cria alguns conflitos internos durante algum tempo. Os policiais pegam pesado com Nick, deixando claro que não gostam do orc. A certo ponto até vemos uma questão moral sendo colocada quando a corregedoria oferece um bom dinheiro para que Ward consiga uma confissão de Nick par aincriminá-lo, mas essa trama que poderia ser muito bem explorada ao longo do fime é completamente esquecida antes mesmo do fim do primeiro ato.

O segundo ato muda completamente o rumo da história, seguindo um foco mais fantasioso. Praticamente toda a trama gira em torno de uma varinha, objeto raro e poderosso. A dupla de policiais recebe um chamado e resgatam uma elfa, Tikka, em posse de uma varinha magica. Logo em seguida vemos a corrupção de um grupo de policiais ameaçando matar Ward e Nick para ficarem com a varinha. Nesse momento vemos a fidelidade entre os parceiros, típica de filmes de policiais, quando Ward mata os policiais corruptos salvando ele e Nick. Os dois iniciam sua jornada o herói ao lado de Tikka para proteger a varinha de praticamente todo mundo que a quer, incluindo gangue de humanos, orcs e os elfos malignos.

O terceiro ato não traz nenhuma revelação que já não tenhamos imaginado desde o começo do filme. É como se ao longo do filme vários eventos já indicassem o que iria acontecer. Sendo assim, não causa nenhuma surpresa com os acontecimentos do clímax no confronto final. Mas é interessante notar como o respeito dos policiais crescem um pelo outro, em especial de Ward com Nick.
No geral o roteiro é simples e previsível, o que não significa necessariamente ruim, mas muitos podem encará-lo como fraco e raso. O filme traz algumas criticas sociais legais sobre racismo e preconceito racial. É um filme típico de policiais dos anos 80 e 90. O arco dos personagens principais é interessante e os protagonistas, principalmente Nick Jakoby, são carismáticos. Além da critica social o filme deixa bem explicito que o orc marginalizado por todos é o personagem com melhor caráter e de bom coração. Ou seja, a ideia de que o mais menosprezado é o mais justo e honrado.


O roteiro é raso e deixa escapar muitas possibilidades de uma trama mais pesada, como a integridade de Ward ao entregar o parceiro (como dito anteriormente) ou um possível questionamento sobre a natureza do ser humano quando tem poder em suas mãos. Apesar da simplicidade e roteiro raso e previsível, cumpre seu papel de entretenimento e faz uma boa critica à divisão de classes e preconceito presente na sociedade. Sem contar as atuações de Will Smith e Joel Edgerton que dão pontos a mais para o filme.




Bright estreou dia 22 de Dezembro na Netflix.

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