sexta-feira, 22 de setembro de 2017

A polemica do filme de Whinderson Nunes me incentivou a produzir mais

Recentemente uma polemica circulou pela internet, em especial entre aqueles do audiovisual ou que acompanham trabalhos de youtubers. Não estou falando ta Cura gay ou redução da maioridade penal. Refiro-me ao tal “filme do Whinderson Nunes”. Na verdade o filme nem é dele ou sequer sobre ele (ele é apenas um dos atores), mas ninguém leva isso em conta na hora de publicar uma matéria





Caso você não saiba de quem estou falando, Whinderson Nunes é o maior youtuber brasileiro atualmente, com mais de 23 milhões de inscritos em seu canal e considerado um dos youtubers mais influentes do mundo! Nessa semana saiu uma noticia de que o filme em que ele participa foi autorizado, pela lei Rouanet a captar mais de 7 milhões para sua produção. Logicamente a internet (que adora uma treta escolhendo times como se fosse futebol) se dividiu entre críticos do cinema contemporâneo e defensores do Whinderson Nunes.

Alguns diziam que Whinderson é o rei e merece o que tem enquanto a grande maioria dizia que investir em youtubers é investir em lixo e que o dinheiro deveria ser destinado a profissionais de verdade ou para saúde e educação. Milhares de pessoas ficavam revoltadas pelo fato de que existem muitas outras pessoas que estão se esforçando, mas não tem acesso à lei Rouanet e mereciam mais que Whinderson. A polemica chegou a tanta que o próprio Whinderson Nunes se manifestou explicando melhor sobre o caso.

Dentre as acusações, uma das coisas que mais intrigaram o público e, em especial, outros profissionais do ramo audiovisual é a injustiça e ineficiência da lei para o incentivo de micro produtores. Essa discussão não é de hoje. No passado houve uma polemica envolvendo Luan Santana, e Claudia Leite. Como escritor e roteirista que ainda está no início de carreira, também me frustra saber que enquanto muitos de nós nos esforçamos ao máximo para conseguir uma mixaria a fim de produzir um curta com suor e esforço, para um artista parece simples ter acesso à essa verba destinada à cultura. Não posso deixar de lado minha opinião pessoal de que, se alguém tem condições financeiras de investir em seu projeto ou influência para captar recursos por conta própria, não deveria recorrer à essa lei, deixando-a para quem realmente precisa para ascensão e oportunidades. Mesmo assim, não posso, de maneira nenhuma, julgar a escolha dos investidores.

Para tratar desse assunto temos que falar sobre o mercado. Sim, pois é através do mercado que sabemos o que está e o que não está sendo consumido. Para um investidor, isso é extremamente importante. Sejamos sinceros, entre Whinderson Nunes, conhecido e admirado por milhões de pessoas e Marcos Bossolon (seja lá quem esse idiota for), quem tem mais chances de lotar salas de cinema e recuperar o dinheiro investido? As empresas já perceberam que youtubers vendem. Há pouco tempo houve um boom de livros de youtubers sendo publicados (enquanto muitos títulos ótimos lutavam por visualizações no wattpad com esperança de serem notados). Houve casos de youtubers que usaram de ghost writers e nem sequer sabiam o que estava escrito em seus próprios livros. Os livros de youtubers se espalhavam nas prateleiras das livrarias e se tornaram Best-sellers.

Não demorou para a idéia passar dos livros para as telonas. Youtubers como Christian Figueiredo e Khefera Buchman já lançaram seus filmes e Rafinha Bastos lançou, nesse ano “Internet o Filme”. Todos sendo sucesso de bilheteria.

Mas afinal, qual é o problema em ter filmes e livros de youtubers? Esse é o ponto. Não há problema nenhum! É comum pensarmos que esse tipo de conteúdo é ruim, pois eles talvez não tenham preparo ou não sejam tão profissionais no ramo (embora alguns sejam de fato atores). O fato é que os investidores não vão arriscar em alguém pouco conhecido. Não importa o quão genial seja seu roteiro ou seu trabalho, se ninguém for assistir. Eu sei, parece cruel, mas infelizmente vivemos num mundo capitalista e precisamos pagar para sobreviver. É importante fazer o que fazemos por amor e com amor, mas também temos que nos adaptar ao mercado e buscar o público.

Não é de hoje que vemos pessoas que criticam youtuber com uma certa síndrome de gênio, pensando que é injustiça pessoas "sem talento" terem tanta sorte enquanto o "gênio incompreendido" que rala todos os dias não tem tanta notoriedade. Aparentemente aqueles que querem fazer um trabalho "de qualidade" estão mais preocupados em criticar o que a atual geração consome ao invés de produzir ou se adaptar ao mercado.

Voltando à discussão acerca de Whinderson Nunes. O qual muitos tem o costume de dizer que não é bom ou que seu conteúdo é um lixo que não agrega valor à nada. Estamos falando de um jovem que tem um publico grande e se comunica muito bem com a geração atual. Grava vídeos desde sua adolescência, viaja pelo Brasil lotando os teatros com seu stand-up solo e produz vídeos toda semana para entreter seu publico-alvo, o que o faz com sucesso. Cada vídeo de Whinderson Nunes alcança a marca de cinco milhõesde visualizações facilmente muitos ultrapassando a marca de dez milhões. Tem noção do quanto alguns estariam dispostos a sacrificar para ter esses números?

Nem todos os vídeos do Whinderson são os clássicos vlogs onde ele simplesmente fala diante da câmera. Alguns são paródias, com clipes engraçados e bem feitos. Sei que é doloroso para nós que estamos estudando, ralando e sonhando com nossa profissão, mas a triste verdade é que em termos de produção audiovisual esse cara ja fez mais do que muitos de nós (incluindo eu). 

Toda essa polemica envolvendo Whinderson Nunes me fez pensar sobre o quão acomodado estou e sobre o tempo todo eu estive adiando meu trabalho, focando-me apenas em escrever. “Depois que eu fizer um curso completo de cinema vou produzir, assim terei o network que os cursos possibilitam”. “Depois que eu comprar uma câmera boa e um bom equipamento eu começo a produzir”. “Depois que uma produtora me contatar...”. Depois, depois, depois. Percebo que estou esperando quase o ano todo e me questionei: Afinal o que eu estou esperando?

O equipamenteo de Whinderson Nunes é uma câmera (até pouco tempo atrás era uma câmera ruim). Ele não usa nem camiseta em seus vídeos. O cenário é o quarto do lugar onde ele está, em muitos casos, um quarto bagunçado. Sem tecnologia, sem figurino, sem superprodução. Ele não é bonito (pelo menos na minha opinião). Se é difícil para nós superarmos uma pessoa dessas então só existem dois cenários possíveis:
1: Ele tem talento, mesmo que você não consiga entender direito ou gostar

2: Nós não é somos bom assim, mesmo com muito estudo.
Nenhum desses casos é ruim!

Se Whinderson tem talento, bom pra ele! O audiovisual ganha com isso. Temos que produzir, e melhorar para crescer também e acrescentar junto com ele.  Se não somos tão talentosos, então vamos produzir e melhorar para crescer no audiovisual. Perceba que, de todo jeito, o que temos que fazer é nos desenvolvermos e contribuirmos para essa área que tanto amamos e não choramigar nas redes sociais. 

Não espere que o país milagrosamente reconheça você e queira te dar 7 milhões para produzir seu filme foda que você escreveu. Não espere que produtoras digam que querem trabalhar com você. Ou que as pessoas procurem seu serviço por que finalmente perceberam o quanto vale a pena investir em você. Parafraseando Peter Dinklage: "Não espere que digam que não está pronto. Mostre que você está pronto!"

Sei que muitos que devem estar lendo isso, gostariam de ganhar a vida apenas fazendo o que ama, mas nem sempre esse é o caminho. Nem sempre conseguirei ser roteirista apenas escrevendo roteiros. Talvez tenhamos que por a mão na massa mais ainda. Gravarmos, atuarmos, produzirmos para enfim sermos reconhecidos. 

Eu decidi essa semana que também quero ser reconhecido e poder ter condições de tirar meus textos do papel. Se eu mesmo tiver que produzir e fazer tudo para conquistar meu espaço é isso que vou fazer. Até que um dia eu possa, de fato, atingir pessoas com meu trabalho e viver disso.

Mas e quanto a recursos? Equipamentos? Tenho assistido vídeos de outros cineastas pelo mundo todo e aprendi que nem sempre precisamos do melhor equipamento. Tampouco vale a pena esperar para começar a produzir por medo de fazer um trabalho ruim. Está na hora de produzir mais, arriscar mais. Correr atrás. Estou cansado de esperar abrir turma em curso, cansado de esperar resposta de produtoras que estão ocupadas com seus próprios projetos e não quero esperar até estudar em Vancouver. Vou começar com o que tenho a oferecer e me desafiar a cada projeto. Assim aprenderei mais a cada novo curta lançado. Já estou entrando em contato com pessoas que também queiram participar dessa jornada.

Aconselho você (sendo o mesmo ramo ou não), a arriscar mais pelos seus objetivos. Não tenha medo de errar. Você vai melhorar a cada vez que tentar de novo. Desafie-se! Arrisque-se! Não espere que os outros olhem para você! 
Se você for de campinas e estiver interessado em participar de curtas e vive em Campinas. Entrem em contato comigo! Eu sou novato. Mas todos temos que começar de algum lugar. E será um prazer trabalharmos juntos. Caso você não seja de Campinas, pode começar com pessoas de sua cidade. Mas mantenha contato também. Um dia, se Deus quiser, ambos cresceremos e nossos caminhos podem se cruzar. Quem sabe não rola parcerias futuras? As batalhas que temos pela frente é difícil. É bom termos aliados, mesmo que não sejam próximos.

Eis a lição que quero passar: Menos crítica, mais ação! Trace seu caminho! Lute. Não se preocupe se você não tem muito agora! Mas não fique parado!

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