quinta-feira, 7 de junho de 2018

Life is Strange: Um efeito borboleta melhorado?



Video-games estão se tornando cada vez mais popular na cultura pop. Atualmente essa industria está quase tão forte (ou tão vez tão forte quanto) a industria cinematográfica. Com o passar do tempo e a popularização dos games a indústria cresceu e os jogos eletrônicos se desenvolveram não só em sua jogabilidade, mas também passaram ser uma ferramenta de sotrytelling.
Muitas dessas histórias contadas em jogos de vídeo-games não servem apenas para divertir, mas também para nos ensinar valores e nos emocionar. Em vista disso, julguei que seria interessante abordar também sobre games em meu blog e analisar o storytelling que essa mídia nos proporciona.
Já que é assim, melhor começar com meu jogo favorito: Life Is strange. O game de aventura e drama interativo desenvolvido pela Dontnod e distribuído pela Square Enix.





Aqueles que jogaram Life Is strange se impactaram com a narrativa incrível dos escritores Christian Divine e Jean-Luc Cano. O jogo recebeu diversos prêmios, dentre eles o de melhor aventura e melhor jogo original no Global Game Awards e premio de games for Change no The game awards, além de ser indicado como melhor narrativa também neste ultimo evento. Não só a história, mas os créditos também vão à trilha sonora bem feita nos momentos certos e na incrível direção de arte e direção de fotografia.
No jogo controlamos Max Caulfield uma estudante de fotografia que descobre ter o poder de "rebobinar" o tempo ao salvar sua antiga melhor amiga, Chloe Price. As duas passam a investigar o misterioso desaparecimento da amiga de Chloe, Rachel Ambar e de outros acontecimentos sombrios de Arcadia Bay. Ao mesmo tempo, Max descobre que utilizar seus poderes podem levar a um futuro devastador.
A história é complexa e se assemelha muito ao filme “Efeito borboleta” com o conceito que cada ação do jogador pode influenciar na história do jogo, desde fazer amigos até salvar ou não uma garota prestes a se matar. O game ainda aborda temas como estupro, bullyng, depressão, drogas, revenge porn e outras temáticas adolescentes relevante atualmente.
Há vários momentos emocionantes ao longo dos cinco episódios disponíveis, em especial o final onde temos que tomar nossa maior decisão, ou quando vamos parar em uma linha do tempo onde Chloe está paralítica e implorando para que a matemos.
Tramas e subtramas

O jogo é recheado de tramas. Além da trama principal acerca dos poderes da Max e do desaparecimento de Rachel Ambar, temos outros eventos acontecendo que requer nossa atenção. Alguns deles parecem convergir para uma mesma trajetória, como o caso do personagem Nathan Prescot e seu clube Vortex. Outros parecem avuslos, mas dependendo da atenção que damos, podem resultar em coisas positivas ou negativas, como a depressão de Kate Marsh ou o namorado da mãe de Chloe, David.


O jogo ainda nos propõe alguns mistérios no decorrer da história. Um deles, e o que mais toma nossa atenção é o desaparecimento de Rachel Ambar e descobrir quem está por trás do sequestro relâmpago de garotas. Outro suspense gira em torno de catástrofes naturais estranhas, provavelmente recorrente do uso excessivo dos poderes de Max.

Todas essas tramas e mistérios nos prendem à história e nos faz querer explorar cada canto do game e cada evento da história.

Personagens com muitas camadas

Um detalhe que nos chama muito atenção é o arco dos personagens no jogo. Inicialmente temos uma impressão sobre alguns personagens e, enquanto investigamos a história, entendemos outras perspectivas sobre cada um deles. Mudamos nossas opiniões e nos apegamos a alguns personagens conforme descobrimos mais da vida deles. Como o traficante Frank Bowers que, inicialmente se revela hostil e inimigo das protagonistas, mas posteriormente percebemos que por trás dessa carcaça existe um coração bom.

Existe algo nesse game que também só pode existir por ser um jogo. É o fato de aprendermos algo a respeito de um personagem dependendo da resposta que damos à eles ou o modo como os tratamos. Isso é algo que não podemos ver em um filme. Diferentes arcos dependendo do nosso comportamento, mas, ao mesmo tempo rico e revelador.

Mesmo assim, nem sempre isso significa que passamos a amar os personagens. A história de Life Is Strange consegue fazer-nos perceber que um personagem não é mau, mas ao mesmo tempo sem descartar completamente todas as babaquices que ele fez anteriormente. Um exemplo disso é David, que é um completo babaca com as protagonistas e, mesmo agindo bem e ganhando nossa admiração em alguns pontos, não descarta sua característica inicial.


Em outras palavras, os personagens tem diversas camadas, muito em construídas e cativantes.

Max Caulfield e Chloe price

Apesar de todas as tramas e subtramas, existe algo ainda mais importante trabalhado nas entrelinhas de cada episódio de Life Is Strange: A amizade de Max e Chloe. Max tinha ido em bora de Arcadia Bay por um longo tempo, perdendo contato com Chloe. E agora que retornou, seus destinos se cruzam de alguma forma.

A amizade entre elas está apagada, estranha... Não é mais a mesma de antes. Ao longo da história a amizade se desenvolve e coisas que estavam engasgadas surgem. Vemos o impacto que a distancia de Max teve na vida conturbada de Chloe. No fim toda a ventura serve como uma ferramenta para nos fazer explorar uma amizade complexa entre as duas e aquele sentimento de voltar a ver um amigo que já não tinham contato, mas que outrora foram melhores amigos.


Assim como falei quando analisei o roteiro de Logan, Life is Strange não traz uma super-heroína usando seus poderes para salvar alguém. Apesar dos poderes, Max é uma adolescente enfrentando problemas humanos. E nisso, o game é bem sucedido, pois os poderes de Max são utilizados realmente para problemas do dia-a-dia de uma adolescente. Ou seja, temos poderes, mas isso não nos faz nos sentirmos super-heróis. Os poderes não tornam Max extraordinária, mas sim uma adolescente comum...

No geral, Life is Strange é um show de storytelling que mostra que Jogos não são apenas aqueles brinquedos e jogos de aventura não se resumem a um herói matando um monstro. Certamente Life Is Strange é um jogo que poderia virar uma série, mas existem elementos que só é possível graças às múltiplas escolhas que a plataforma de games proporciona.

Posso garantir que jogar Life Is Strange é uma experiência única e inesquecível. A trilha sonora dirigida por Syd Matters combina perfeitamente com o clima do jogo. Life is Strange cumpre o que propõe em sua mensagem: mostrar que independente de nossas habilidades, a vida é estranha para todo mundo.

Life Is strange está disponível para venda para PC na Steam ou em mídia para X-box e Playstation. E se está com medo de comprar e não gostar, o episódio 1 está gratuito. Só baixar e ser feliz.

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