quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Reformando sua vida. Perseverança nas metas de ano novo


Estamos iniciando mais um ano. Todos temos em nossa consciência de que a virada de ano não muda nada. Não apaga todas as coisas do ano passado e nos permite recomeçar do zero. Mesmo assim, é uma boa marca para nos reinventarmos e planejarmos nossa vida. Começamos novas dietas, definimos novas metas, prometemos coisas a nós mesmos que queremos mudar. Eu, assim como todo mundo, também defini as minhas metas para esse ano (metas, não dietas).

No momento em que escrevo esse texto, estamos na segunda semana do ano e quase tudo que planejei aponta que será um fiasco. Não me admira que outros estejam vivendo a mesma coisa. É comum que algumas pessoas desistam de seus objetivos antes mesmo da terceira semana do ano, por que não aguentam os pontos negativos por passar por uma mudança. O resultado é que ao final do ano, estamos insatisfeitos com nossos objetivos, nossas vidas parecem destruídas e voltamos a nos planejar para o próximo ano na esperança de que o próximo seja realmente o nosso ano.

Tem algo muito importante que aprendi sobre mudanças e metas a cumprir em nossas vidas: Se não passamos por momentos muito ruins, significa que não estamos fazendo certo. Um amigo uma vez me disse que arrumar nossa vida é como arrumar um quarto. Você bagunça sua cama, colocando tudo da escrivaninha sobre ela para arrumar a escrivaninha. Depois bagunça a cadeira para arrumar a cama. E assim vai bagunçando um para arrumar outro até que tudo esteja arrumado. É exatamente assim que funciona as mudanças em nossas vidas. Bagunçando tudo que arrumamos tudo.

Ano passado, decidimos reformar nossa casa inteira. Planejamos, discutimos, debatemos até que enfim, meu pai começou a por a mão na massa (literalmente). A primeira coisa que fez foi destruir nossa cozinha inteira. Desmontar a sala e quebrar tudo que deveria ser quebrado. Esses dias foram terríveis para mim e minha rinite. Sempre que eu limpava o quarto (o que é meio raro, confesso) parecia que não adiantava nada, pois no dia seguinte a poeira das reformas invadiam novamente meu aposento. Haviam dias em que eu acordava, olhava para o chão cheio de lixo, poeira e com azulejos faltando e pensava que eu vivia em uma casa abandonada. Foram tempos estressantes para todos(ainda está sendo, pois faltam algumas mudanças).

Nessa mesma época, haviam muitas coisas em minha vida que eu estava mudando. Comecei a frequentar uma nova igreja, o que desde o inicio gerou alguns conflitos tanto internos como externos. Comecei a investir numa carreira de roteirista e escritor, o que não está nada fácil. E passei a vender trufas na esperança de juntar dinheiro para meu intercâmbio.

Perto do final do ano decidi que ia começar a gravar meus próprios curtas e encontrei um amigo que também queria gravar curtas para conversarmos sobre isso e nos ajudarmos. Durante a conversa, obviamente falávamos do que acontecia em nossas vidas. E cada coisa que eu falava sobre a minha deixava-o mais deprimido. Quando disse à ele que podíamos usar minha sala como um cenário de um mundo pós-apocalíptico ele disse: “Para! Não fala mais nada por que já estou com pena de você”. Na hora eu não entendia. Por que ele sentia pena de mim se, na minha perspectiva eu passava por um dos melhores momentos da minha vida? Quando eu cheguei em casa naquela tarde e vi minha sala e cozinha destruídas entendi o motivo. O que ele via é o que estava acontecendo na minha vida enquanto o que eu via era o que estava se tornando minha vida.

Se alguém olhasse para nossa casa, toda destruída e bagunçada, provavelmente veria uma casa feia e mal acabada. Mas para nós era um dos melhores momentos que vivíamos na casa. É assim que funcionam as reformas. É preciso quebrar coisas para reconstruí-las de uma maneira melhor. O mesmo funciona com nossas vidas. Ao tentarmos cumprir nossas metas, quebraremos muitas coisas em nossas vidas. Passaremos por momentos horríveis e tudo parecerá destruído em diversos momentos. No entanto, após esse período conforme a reconstrução for evoluindo, logo vemos o que realmente pode se tornar.

Terminamos as reformas da sala e da cozinha pouco antes do natal e arrancamos elogios dos familiares e amigos nas festas de fim de ano. A sala está linda, a cozinha confortável e minha rinite finalmente me deu sossego.

O que leva muitas pessoas a desistirem de reformarem suas vidas é que, quando tudo começa a complicar e ficar bagunçado, elas se frustram. Se desapontam com o estado em que estão e param suas reformas no meio. Mas isso só piora a situação. Ao pararmos no meio, tudo permanecerá destruído pra sempre.

Você tem suas metas para o final desse ano. Trace as medidas a serem tomadas e persevere. Lembre-se que muita coisa terá de ser destruída até que você possa reconstruir. Dificilmente veremos resultados nos primeiros meses, pois são nesses meses que estaremos destruindo tudo. Logo, os primeiros meses serão horríveis. No meio do ano, é que as reformas começarão de verdade e só no fim do ano poderemos dizer se fomos bem sucedidos ou não. Algumas metas talvez serão cumpridas, outras não e outras conquistas podem ser atingidas, mesmo que não estivessem nos planos iniciais.

Então tenha coragem. Não tenha medo de destruir ou bagunçar algumas áreas da sua vida. Siga seu planejamento mesmo que tudo pareça péssimo. Vai ficar feio e triste de se ver, alguns dirão que piorou. Mas não olhe para o agora, como eles fazem, mantenha o foco na meta. E ao fim do ano, arranque elogios de todos. Tenha coragem e boas reformas.

Só para esclarecer: A imagem da casa nessa postagem não é da minha casa. Não tiramos fotos do antes e depois...

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